Setor de serviços cai 2,2% e tem pior julho desde 2014, aponta IBGE

O volume de serviços prestados no Brasil caiu 2,2% em julho na comparação com o junho, pior resultado para o mês desde 2014, quando caiu 0,9%. É o que aponta a pesquisa de desempenho do setor divulgada nesta sexta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado reforça a fraqueza do setor, que tem apresentado grande volatilidade desde a greve dos caminhoneiros (caiu 3,4% em maio e cresceu 4,8% em junho) e inicia o terceiro trimestre em queda, acumulando no ano uma retração de 0,8% e, em 12 meses, queda de 1%.
Da mesma forma que o setor de serviços, a indústria e o comércio também iniciaram o 3ª trimestre no vermelho, reforçando a leitura de perda de ritmo da recuperação da economia brasileira.
Após o salto de 12,9% registrado em junho, a produção industrial caiu 0,2% em julho frente ao mês imediatamente anterior. Já as vendas do comércio varejista tiveram queda de 0,5% em julho, o terceiro recuo mensal seguido.
O IBGE destacou que, com os resultados de julho, o patamar de serviços prestados no país se encontra 12,9% abaixo de janeiro de 2014, o ponto mais alto do setor na série histórica.
De acordo com o IBGE, quatro das cinco atividades de serviços investigadas na pesquisa tiveram queda na passagem de junho para julho. A queda mais expressiva foi a dos transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que recuou 4,0%, e somente os serviços prestados às famílias tiveram alta no mês, de 3,1%.
Resultados por atividades:
  • Transportes, armazenagem e correio: -4,0%
  • Serviços de informação e comunicação: -2,2%
  • Serviços profissionais e administrativos: -1,1%
  • Outros serviços: -3,2%
  • Serviços prestados às famílias: 3,1%
Ritmo lento da economia
Com o desemprego ainda elevado e confiança dos empresários ainda baixa diante das incertezas em relação às eleições, a economia brasileira tem mostrado um ritmo de recuperação mais lento que o esperado.Após divulgação de alta de apenas 0,2% no PIB no 2º trimestre, analistas do mercado passaram a projetar um crescimento mais próximo a 1% em 2018. Segundo a última pesquisa Focus do Banco Central, a expectativa do mercado é que a economia cresça 1,40% em 2018, metade do que era esperado alguns meses antes.O setor de serviços tem forte peso na economia brasileira, representando cerca de 70% da composição do Produto Interno Bruto (PIB), e ainda não conseguiu recuperar as perdas dos últimos anos.
Fonte: G1