A seguir, entenda como a pesquisa pode ajudar pacientes com câncer de pele nos seguintes tópicos:

  1. O que é o melanoma?
  2. Quem realizou e como o estudo foi feito?
  3. O que a pesquisa descobriu?
  4. Como o estudo ajuda pacientes e médicos?
1.O que é o melanoma

O melanoma é considerado o câncer de pele mais grave que existe. Somente no Hospital de Amor, por ano são acompanhados em média 1 mil pacientes com a doença, que muitas vezes passa despercebida, segundo a médica cirurgiã oncológica Lorena Siqueira.

“Ele é uma lesão que pode surgir espontaneamente, uma pinta que vai surgir em um local em que não existia nada, uma pele que inicialmente não tinha lesão, ou ele pode surgir a partir de uma mancha que o paciente já tenha”, explica.

Segundo a pesquisadora Anna Luiza Vicente, o melanoma não só está altamente atrelado ao risco de morte, como também ao sofrimento dos pacientes diagnosticados com a doença.

“Essa é a importância maior do nosso trabalho: investigar uma doença realmente agressiva e que impacta diretamente a vida de muitas pessoas no mundo e também no Brasil”, afirma.

2.Quem realizou e como o estudo foi feito?

Para compreender as características dos portadores de melanoma, pesquisadores do Hospital de Amor desenvolveram um estudo considerado pioneiro. A iniciativa foi realizada em parceria com a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), na França.

Eles investigaram quais as alterações estão presentes em genes e em moléculas e como essas modificações influenciam no comportamento dos tumores.

“A gente tinha basicamente duas perguntas. A primeira era saber se a exposição ao sol produzia alguma alteração no DNA das pessoas com melanoma. E a nossa segunda pergunta era saber se essa exposição ao sol, produzindo alterações nessa molécula do DNA, também melhoraria a classificação, a forma como a gente diagnostica o melanoma”, afirma Anna Luiza Vicente.

Ao todo, foram acompanhados 117 pacientes brasileiros que receberam o tratamento convencional para o câncer. Os pesquisadores usaram o material de biópsia para a investigação.

“A maioria dos estudos internacionais prioriza pacientes da Europa, dos EUA, e a gente pegou pacientes brasileiros, que a gente sabe que também têm alterações diferentes no DNA”, diz.

3.O que o estudo descobriu?

O resultado surpreendeu os pesquisadores ao trazer características não descritas em pesquisas anteriores, entre elas a relação entre a exposição a raios ultravioleta e as alterações no DNA do melanoma.

Além disso, foi possível estabelecer a proposição de uma nova classificação para a doença.

“A exposição ao sol produz alterações específicas nessa molécula do DNA dos pacientes. A gente conseguiu observar o que estava acontecendo, quais as mudanças estavam acontecendo nos pacientes”, afirma Anna.

Os médicos também apontaram uma possível relação entre a alteração genética e as expectativas de sobrevida dos pacientes.

“Descobrimos que um gene, chamado TAPBP, quando ele está alterado, mas não quebrado ou desmontado, quando ele está ligeiramente alterado, esses pacientes que têm essa alteração no tumor têm uma sobrevida menor do que os pacientes que não têm”, afirma Vazquez.

4.Como a pesquisa ajuda pacientes e médicos?

Os apontamentos do Hospital de Amor abrem caminho para tratamentos mais eficientes e menos invasivos para a doença, segundo Vazquez.

“É algo que chamou muita atenção porque passa a ser um alvo terapêutico, ou seja, se nós podemos de alguma forma, do ponto de vista molecular, de um novo remédio, uma droga que altera esse distúrbio, nós talvez podemos reverter o curso clínico da doença”, afirma.

A descoberta vai ao encontro do que a comunidade científica busca atualmente, com métodos que ataquem genes específicos e alterações, sem prejudicar as demais células do corpo.

“O tratamento do câncer está muito ligado às alterações nas moléculas no DNA. Antigamente era tóxico para as células, hoje em dia nós descobrimos as alterações que as moléculas têm ou o DNA têm, e o remédio vai bloquear aquela alteração e fazer com que especificamente a célula do câncer morra. Esse é o tratamento moderno”, diz.

O pesquisador também destaca que o estudo abre novas possibilidades científicas e insere pacientes fora do eixo Europa-EUA nos estudos, o que ajuda a encontrar resultados mais específicos.

“O que acontece é que as populações são diferentes. A população brasileira em boa parte ficou à margem desses grandes estudos internacionais. O que a gente fez foi romper um pouco essa bolha e trazer na nossa pesquisa, junto a um grande centro internacional, junto ao Iarc, na França, e mapear as alterações moleculares do melanoma, entender o que acontece dentro dos genes do melanoma, o que acontece dentro dessa célula”, diz.

G1 – Por Eduardo Pereira e Susana Berbert, Bom Dia Cidade