Técnica desenvolvida pela USP de Ribeirão Preto

Técnica desenvolvida pela USP de Ribeirão Preto usa ultrassom para reposicionar DIU e tem mais de 90% de efetividade.
Pesquisa acompanhou 55 mulheres submetidas ao procedimento entre janeiro de 2016 e fevereiro de 2020. Resultados foram publicados na revista americana Ultrasound in Obstetrics & Gynecology.

Por g1 Ribeirão Preto e Franca  

Técnica desenvolvida pela USP de Ribeirão Preto usa ultrassom para reposicionar DIU e tem mais de 90% de efetividade — Foto: Rodrigo Nunes/Ministério da Saúde/Divulgação

Técnica desenvolvida pela USP de Ribeirão Preto usa ultrassom para reposicionar DIU e tem mais de 90% de efetividade — Foto: Rodrigo Nunes/Ministério da Saúde/Divulgação.

Uma técnica desenvolvida pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (SP) usa ultrassom para reposicionar o dispositivo intrauterino (DIU), quando este foi parcialmente expelido de dentro do útero das pacientes, com taxa de sucesso em mais de 90% dos casos.

Segundo a professora associada do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da FMRP, Carolina Sales Vieira, e uma das autoras do estudo, o procedimento surgiu da necessidade de evitar gastos em hospitais públicos com novos dispositivos e também do alto índice de deslocamento do DIU quando colocado por médicos residentes, que ainda estão em formação.

Assim, a técnica é uma resposta à falta de recursos públicos e pode auxiliar os profissionais em treinamento, além de evitar que a paciente que utilize os hospitais particulares gaste mais com despesas médicas.

Importância do DIU para as mulheres brasileiras

De acordo com uma pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fiocruz, das 24 mil mães em 191 municípios do Brasil, 55% das brasileiras tiveram gravidez não planejada, um número acima da média mundial, que é de 40%.

Segundo Erciliene, os métodos contraceptivos mais usados atualmente pelas mulheres no Brasil são a pílula anticoncepcional e a laqueadura. Porém, os métodos contraceptivos reversíveis de longa duração (na sigla em inglês LARC), que incluem o DIU e o implante subcutâneo, podem ser mais seguros e eficazes.

“Foi uma saída para melhorar nosso ambiente universitário mesmo; falta de DIU e o médico que está sempre em treinamento, que tem mais erro na inserção; então foi da necessidade que a gente começou a fazer esse procedimento”, comenta Carolina Sales.

A pesquisa acompanhou 55 mulheres submetidas ao reposicionamento do DIU com a nova técnica, entre janeiro de 2016 e fevereiro de 2020, durante os seis meses que se seguiram ao procedimento.